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Melancolia II

Quando,
e se me beijares novamente
Que seja com paixão desenfreada.
E que da afirmação do beijo à dúvida
não reste a mim mais nada.

A não ser lembrar a doçura dos teus lábios
a frescura de sua saliva,
a ternura de teu toque, e finalmente
a quentura da respiração.

Que ao fechar de nossos olhos,
demos valor aos nossos sonhos,
carreguemos o coração com felicidade,
deixemos pra trás tanta mesquinhez.

E se ainda sobrar,
qualquer motivo para estupidez,
que saibamos contornar com sabedoria.

Para evitarmos mais uma vez,
Essa tamanha melancolia.

Eu não páro de agradecer
ao que o destino me traçou.
E neste ano, tive esse prazer
De saber que na minha vida, você passou.

Aquela circunstância que te deixou perdida
que te fez aterrisar no meu caminho
Olha só como é engraçada essa vida!
Contigo nela, eu não fico mais sozinho.

A confiança depositada em quem te traiu
A necessidade de um teto sob a cabeça
Minha solidão, rapidamente se esvaiu
Provável que tua chegada, eu nunca me esqueça

O primeiro olhar, o primeiro sorriso
a primeira troca de palavras
Acordar todo dia, sabendo o que preciso
Sabendo quem meu coração acalma.

Um passeio ao amanhecer do dia
Mãos dadas logo de cara
Como é que eu não poderia
Descobrir-te também apaixonada?

E assim o ano foi-se, caminhando
Para um sucesso improvável
E assim seguimo-nos, desarrumando
O que parecia intocável.

E hoje depois de intenso vendaval
Não nos sobrou sequer um carinho
Poucos sabem do quanto me senti mal
Em ouvir a tal fábula de amigo

Em saber que ainda lutas contra o destino
Que desde o inicio nos mostrou algo certo
Que te pôs – pretensa certeza – no meu caminho
Que de um sonho bom, ora me fez desperto.

Busca nos teus olhos,
a lembrança de meu olhar apaixonado.
Talvez você entenda,
Vez por todas, o que deu errado.

Calça o meu sapato
Sente a maciez do couro
Aperta-lhe talvez o calo
Dura realidade, nenhum mau agouro.

À espera da áspera realidade
através de tuas palavras
Suplico aos céus para evitar
Mas é pior te ver calada.

O tempo passa e não traz razão alguma
Não cura, não afaga, não suaviza
Só faz aumentar a minha saudade
Meu coração sabe bem do que precisa.

Amor, banal?

Você foi o meu caso menos resolvido.
Da virilidade à ambição que a ti me trouxe
Nada de melhor ainda foi absorvido
Da tua respiração junto a meu peito
Do sussurro que deste apaixonada em meus ouvidos
Foi a que mais me deixou fora do prumo
Foi quem eu mais achei especial
E o teu descaso com meu precioso sentimento
Me fez repensar honestidade
Me fez por à prova o sentido de um perdão
Agora penso como pode ser o amor, banal
Por causa de uma infantilidade sem tamanho
Tornaste a mim apenas um caso qualquer
E já havia te tornado em minha vida, essencial.

Revés

Após um revés
O homem perde sua vaidade
Vive um momento de loucura
Se enraivece com a saudade
Enorme semeadura
Obstáculo do que é verdade

Esquece a alegria que é viver
De admirar um belo dia
E torna a esquecer,
de compartilhar alegria
De admirar um entardecer
De absorver sabedoria

Após tamanha negação
Tomado por enorme susto
Que sobresalta-lhe o coração
Acha que o mundo é injusto
Acha que é pessoal
Que só com ele acontece
Que só pra ele é o mal

Difícil de abrir os olhos
De ver que todo mundo é igual

Minha Primavera

me vêm a cabeça tua imagem no parque.
em câmera lenta revejo teu andar, teus lindos cabelos castanhos balançando de um lado a outro, sincronizados com a abertura do teu lindo sorriso ao fitar-me.
o vento remexe teu vestido branco cujos detalhes eu nunca mais esquecerei. És a mona lisa que eu preciso ver apenas uma vez para decorar cada centímetro dessa cena espetacular.
parece nem usar aquelas sandálias que te dei de aniversário, parece não se preocupar com os problemas, parece ter esquecido que o tempo existe.
e eu pareço cada vez mais com aquele garoto bobo que se apaixonou a primeira vez aos oito anos de idade pela professora do primário.
sim, a vida é perfeita nos grandes momentos, tal como nos pequenos onde nossos olhares se cruzam e confidenciam um sentimento inexplicável.
a pureza de um simples afago me traz a felicidade plena e absoluta e faz-me querer que o dia dure mais que as horas nele contidas, e que essa manhã de sol dure uma eternidade inteira.
a mais bela das obras-primas é a imagem que tenho agora. é rodeada de tanto amor que sequer sobra espaço para ruídos que nos cercam. estamos ambos hipnotizados, esquecemos do mundo que nos cerca e só existem a beleza das flores, o canto dos pássaros, o odor dos jardins e a sombra das árvores.
você é a beleza que a primavera trouxe mais cedo, é o perfume que me envolve o coração, a quentura do meu sangue, o oxigênio da minha respiração.
então não parte. continua nesse ritmo intenso e demorado, sorri de olhos abertos, fechados, semi-cerrados.
mas sorri. pro meu coração continuar batendo forte assim.

Então é assim que o amor morre?
Não é a beira de um precipício?
Não é overdose de um vício
Não é sequer pelo abandono completo
Talvez por algo mais líquido e certo
Talvez pela malandragem do esperto
Que sem haver, viu oportunidade
De exercitar saborosa maldade
E decretar assim, infelicidade
Com quem só lhe pediu confiança
Com quem compartilhou esperança
E agora me chega a surpresa
Que de tuas garras fui presa
E que agora peço que esqueça
A toda e qualquer promessa
A todo e qualquer carinho
Prefiro meu coração sozinho
A ter que compartilhar contigo
Todo amor que um dia foi de amigo
Toda alegria que um dia sonhei ter
E você sempre esteve junto pra ver
Compartilhando felicidade a dois
Vou tentar descobrir o que farei depois
Que desse ambiente conseguir me livrar
Quem sabe consiga bem rápido despertar
Desse mundo perfeito, que um dia me pus a imaginar
Mesmo que pra isso, um rio eu tenha que chorar
Mesmo que lá na frente eu consiga te perdoar
Já digo de pronto, que salvo conduto
Terás novamente, quando me reconquistar.

o tempo vai matar
aquilo que passei um enorme tempo a esperar
e ele nao vai parar
só pra atender os teus caprichos
pra depois de tudo me querer fazer voltar

é, o tempo que ensina
a culpa é dele e somente dele
não vale olhar pro tempo
e daí querer dizer que a culpa é minha

vai doer, vai machucar
você se arrepender
pra criar a cicatriz, vai demorar
e a dor não vai sumir, não vai passar

e ali ficarei triste a lamentar
não precisava passar por isso desse jeito
era só ter a coragem de encarar o que trazes no peito
era só tomar a vida pela vida que desejas

era não pensar demais por algo tão pequeno
era escolher a dedo algo mais concreto
era não sucumbir a qualquer um veneno
e era amar aquele e aquilo que era certo

mas agora vai ser livre em outro lugar
vai aprender que a vida não ta aí só pra te perdoar
vai amadurecer, vai sentar um pouco pra pensar
vai torcer pro destino nos aproximar

e caso ele aproxime, vem de coração aberto
porque a saudade que tenho é de você por perto
porque o que quero viver é o que há de mais certo
enquanto tu não vens, meu coração aperto

agora sou eu quem torce pro destino
conto os dias, meses, horas, amaldiçoo teu desatino
que chegue logo o dia em que te pego e ensino
o que é na verdade ao coração um mimo

algo que simplesmente não consigo deixar de ouvir.

why do you climb a rock
if you know, that you will fall
Why do you persist
if you knew, after all

is that inevitable, or do you like it?
to grow a real pain in the chest
to stay for months, just frightened
hoping that this love will be the best?

do you really think this is normal?
do you believe in fairy tales?
don’t you think, that this is brutal?
don’t you know, that you will fail?

so why insist, she’ll not be there
to see in your eyes, that she caused pain
she already left, down those stairs
to never get, never get back again

her eyes just told you, moments ago
that this feeling in her, is empty
that big smile, that once she throwed
that sympathy, she’ll never show

you talk about future, and she ignores?
you say that thing, that always work?
she’s there to listen, she seems bored?
and then you feel, you can not cope with

your heart’s manners, are not suspicious
although you feel, that this is wrong?
or dream you with her, that’s so delicious
would be the life, that she’ll keep away

now what it matters, once and for all
what has left, for me to say
if that love that once was real, my doll
today are ashes, that I’ll sweep away

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