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Retirante

Saberei sou inocente

Não conheço muita gente

Ó princesa não me tente

Eu continuo inocente


Já andei por muitas bandas

Comi muita poeira de chão

Continuo sem descanso

Aliado à solidão


Deixei pra trás a família

Na esperança de encontrar

Cada passo, cada milha

Nunca canso de andar


De porto em porto

De porteira em porteira

Comendo areia sem gosto

Tomando banho em ribeira


Paradeiro é a esperança

De minha vida mudar

Minha pessoa entra na dança

Pro meu destino virar.

Desalento

Coloca o copo sobre a mesa como quem faz pose para um filme noir.

Em preto e branco segue a cena, vira o rosto, fita o céu.

Levanta-se, despede-se e graciosamente pôe-se a caminhar.

.

Sem olhar pra trás, logo percebe o sucesso que ali fez.

Penso, repenso, confabulo a meu favor. Não me levanto.

Deixo nas mãos do destino, nossa primeira vez.

.

Hoje não esqueço tal cena a qual presenciei.

Quero ver este filme novamente, quero aplaudir a atriz.

Quero ser feliz, quero sentir-me como um rei.

.

O tal destino, ó que demora, que sofrimento!

Que não me vem, que não te encontro. Como te quero!

Mas o desejo, não é ordem. É desalento.

Foi Duro

Foi duro não beijar-te os lábios

Foi duro saber que acabou.

Foi duro ficar ao seu lado, sabendo

Que a sorte não nos abraçou.

.

Foi duro sair da sua vida.

Mais duro, foi não ter entrado.

Foi  duro saber que um passado.

Querida! Esse nunca existiu.

.

Foi duro te dar as costas.

Foi duro não te ver chorar.

Foi certo não ter arriscado?

De algum dia, não te magoar.

.

Foi duro durar muito pouco!

Foi duro tentar ser feliz.

Foi duro, saber que ao seu lado.

Fiquei. Mais que isso, não fiz.

A fina flor na madrugada cai,

O dia.

O orvalho escorre pelos lábios

da rosa.

Inspirado, acordo e canto

em verso e prosa:

És minha inspiração à poesia.

Completa hoje um ciclo,

mais um de tua vida.

Renovam-se a Paz, a harmonia,

a saúde e a tua doçura.

E nasce em ti um algo mais,

que só você pode sentir.

Vêm a família, os amigos, venho eu

desejando que alcance tudo

o que o seu coração pedir.

Tantos ciclos marcaste na mente,

como com giz.

Espero poder ser aquele, que em todas as datas

Venha te fazer muito feliz.

O amor bateu em minha porta.

Me sorriu. Pediu licença e eu neguei.

Temeroso de cair novamente.

Lembro-me até hoje de quando me abandonou.

Olhos em lágrimas – de ambos – me fizeram acreditar,

que eu signifiquei demais pra você.

Porém não há modo de saber porquê.

O amor então indignado, deu meia-volta.

Ficou tão bravo, desceu pelas escadas.

Nem olhou para trás.

Nem olhou.

Já quis correr.

Já quis ficar.

Paredes, muros, torres, um castelo derrubar!

.

Já quis você.

E quis pra já.

O azul do céu, calor do sol, vento a lhe tocar.

.

Já quis perder.

Reconquistar.

O chôro, o sorriso, a lágrima verdadeira do perdoar.

.

Já quis dormir.

Para sonhar.

E toda essa poesia, realizar.

Saudade

Saudade.

Ah! Saudade.

Saudade do tempo em que você era tudo.

Saudade de minha adolescência apaixonada.

Saudade daquele olhar penetrante

Daquele seu corpo ardente

Daquele teu sorriso inteligente.

Daquele seu rosto perfeito.

Saudade daquela sua alma alegre e descontraída

Saudade da tua vontade de viver teu grande sonho.

Saudade do que significou pra mim.

Ah! Saudade.

Quanta saudade.

Desencanto

Não pedi permissão pra ninguém.

Que te escrevesse hoje, ontem, agora!

Mas é melhor que te escreva, justo antes

Que cansado, o poeta vá embora.

.

Não sou aquele que apela para flores.

Não descrevo e elogio, nem perfumo com jasmin.

Te peço: guarde sempre minha amiga

A minha imagem. Não se esqueça de mim.

.

Penso agora, não quero aparar arestas

Ante o claro  apago a luz, fico no escuro

Arrepender-me-ei! De não abrir nenhuma fresta

Ignorando totalmente meu futuro.

.

Aconselho, nunca esqueça a alegria

Sorria sempre, esqueça o pranto

Pois o brilho que conheço dos teus olhos

Não se apagará, com meu completo desencanto.

És

Quem és?

Aos teus pés, porque quer? Ou que não vi.

Não demonstrou, não preocupou, nem procurou. E assim eu fui.

E descobri. Aquilo que,

Já não era mais meu. Nem seu. Só estava lá, porque alguém esqueceu.

E ninguém plantou, ninguém colheu. Ninguém se importou.

Isso, porque alguém esqueceu.

Amou?

Perguntei ao coração, ele me respondeu.

Ainda sou teu.

Beleza.

Infinita infância.

Mistura de adolescência precoce.

Amendôam-se os olhos  que me vêem.

Olhos! Ah! Olhos…

E que olhos!

Olhar de adolescente pedindo: quero mais!

Ah! Se quero.

Boca.

Algo tão pequeno e por demais significativo.

Um beijo roubado.

Dois!

Três!

Um olhar, uma boca, uma noite.

E que noite!

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